Projeto

 

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O Académico Futebol Clube, é o clube da cidade do Porto. Não representa um bairro ou uma parte da cidade. É um clube de tradição predominantemente urbana, uma resposta daqueles cidadãos que no princípio do séc. XX vivam aquela que ainda hoje é a estrutura mais representativa da cidade, aos “Daw-Taw Athletic’s”, “Foot-ball’s”, ou “Sport Club’s”, que proliferaram nas grandes metrópoles nessa época. Fundado em 1911 teve a sua sede nalgumas das mais emblemáticas artérias da cidade. Praça da Batalha, Rua Júlio Dinis, Rua do Sol, Rua Santa Catarina, ocupando recintos desportivos no Bonfim, em Ramalde, em Arca d’Água e em Costa Cabral onde ainda hoje se localizam a sede e recintos desportivos.

Contudo, o que podemos observar não pode testemunhar o que, em 1923 com o aluguer da Quinta do Lima, se viria a constituir como o maior complexo desportivo da cidade,que incluía estádio relvado com pista de atletismo, velódromo e bancada coberta, assim como campo de treinos, cortes de ténis, recintos com bancada para a prática de basquetebol, voleibol, andebol, hóquei em patins e respectivos balneários, ginásio e sede na Rua Costa Cabral. A primeira modalidade foi futebol, contudo o A.F.C. durante estes 99 anos proporcionou também a milhares de atletas a prática de voleibol, pesca desportiva, boxe, basquetebol, andebol, hóquei em campo, hóquei em patins, ténis, ténis de mesa, atletismo, ciclismo, automobilismo, motociclismo, ginástica desportiva, rítmica e de manutenção, aeromodelismo, patinagem artística, tiro, natação, pólo aquático, campismo, capoeira, bilhar. Chegou a editar com regularidade dois jornais desportivos, “O alvi-negro” e o “académico”.

As limitações financeiras destas colectividades têm desencadeado o modo como estas estruturas se erguem a partir da operação de cobertura de um recinto cansado de anos de intempéries e onde os jogos já haviam sido interditados. De seguida erguem-se as "paredes" e sobre as velhas bancadas, que já não são de madeira como as primeiras, os balneários.

Este é o característico ciclo de grande maioria dos recintos desportivos em Portugal, sejam grandes ou pequenos, indiferentemente das modalidades em prática nos clubes. O Académico Futebol Clube, não conseguiu fugir à regra, e quando nos anos sessenta vê amputado o seu parque desportivo dos equipamentos mais representativos, foi à medida das suas necessidades e possibilidades procurando responder às muitas solicitações que a prática desportiva e o número de atletas lhe exigia. Depara-se hoje com graves limitações para o desenvolvimento sustentado das suas necessidades e funcionamento, pelo modo desqualificado como foi densificada a ocupação do logradouro do Palacete do Lima, uma complicada trama de compromissos, programáticos, funcionais, estruturais e infraestruturais de comprometedora expressão volumétrica.

Vários factores foram contribuindo para a diminuição do número de modalidades e atletas do clube, destacando-se a diminuição da população em idade escolar no centro da cidade, e o envelhecimento das instalações do clube, contudo não diminui a sua importância e responsabilidade na formação desportiva dos jovens, uma vez que não resta neste capítulo, alternativas aos clubes como o A.F.C. que continuam a garantir o desempenho de uma componente fundamental da educação.

Este clube não tem milhares de adeptos. Este clube foi e continua a ser a escola de desporto e amizade de milhares de portuenses.

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